A PARÁBOLA DO FARISEU E O PUBLICANO - Lucas 18:9-14
INTRODUÇÃO
Precisamos adotar como premissa a seguinte verdade:
Todos pecamos e, por isso, fomos afastados de Deus.
Romanos 3:9-30
Já demonstramos que tanto judeus quanto gentios estão debaixo do pecado.
Como está escrito: "Não há nenhum justo, nem um sequer; não há ninguém que entenda, ninguém que busque a Deus.
Todos se desviaram, tornaram-se juntamente inúteis; não há ninguém que faça o bem, não há nem um sequer (Sl 14.1-3; Sl 53.1; Ec 7.20)".
"Suas gargantas são um túmulo aberto; com suas línguas enganam" (Sl 5.9). "Veneno de serpentes está em seus lábios (Sl 140.3)".
"Suas bocas estão cheias de maldição e amargura (Sl 10.7)".
"Seus pés são ágeis para derramar sangue; ruína e desgraça marcam os seus caminhos, e não conhecem o caminho da paz (Is 59.7,8)".
"Aos seus olhos é inútil temer a Deus" (Sl. 36.1).
Sabemos que tudo o que a lei diz, o diz àqueles que estão debaixo dela, para que toda boca se cale e todo o mundo esteja sob o juízo de Deus.
Portanto, ninguém será declarado justo diante dele baseando-se na obediência à lei, pois é mediante a lei que nos tornamos plenamente conscientes do pecado.
Mas, agora, se manifestou uma justiça que provém de Deus, independente da lei, da qual testemunham a Lei e os Profetas; justiça de Deus mediante a fé em Jesus Cristo para todos os que crêem.
Não há distinção, pois todos pecaram e estão destituídos da glória de Deus, sendo justificados gratuitamente por sua graça, por meio da redenção que há em Cristo Jesus. Deus o ofereceu como sacrifício para propiciação mediante a fé, pelo seu sangue, demonstrando a sua justiça. Em sua tolerância, havia deixado impunes os pecados anteriormente cometidos; mas, no presente, demonstrou a sua justiça, a fim de ser justo e justificador daquele que tem fé em Jesus.
Onde está, então, o motivo de vanglória? É excluído. Baseado em que princípio? No da obediência à lei? Não, mas no princípio da fé.
Pois sustentamos que o homem é justificado pela fé, independente da obediência à lei.
Deus é Deus apenas dos judeus? Ele não é também o Deus dos gentios? Sim, dos gentios também, visto que existe um só Deus, que pela fé justificará os circuncisos e os incircuncisos.
Diante do texto acima, os homens tentam, de várias maneiras, se religarem a Deus.
Daí surgiu a palavra religião. Em sua etimologia, essa palavra vem do verbo latino “religare / re-ligare”, que significa, exatamente, religar.
Entretanto, precisamos ficar atentos, porque há apenas uma forma de nos aproximarmos de Deus e nos ligarmos novamente a Ele:
|
Sacrifícios / pagar promessas |
não levam a Deus |
1º Samuel 15.22; Pv 21.3; Pv 21.27 |
|
obras |
não levam a Deus |
Efésios 2:8-9 |
|
atos de justiça ou bondade |
não levam a Deus |
Tito 3:5 |
|
religiosidade e comportamentos meramente religiosos (formais) |
não levam a Deus |
Mateus 21:28-32 |
|
seguir leis e regras sociais |
não leva a Deus |
Gálatas 2:16 |
|
pela sua própria justiça |
não leva a Deus |
Lucas 18:9; Isaías 64:6 |
|
por meio de Jesus |
Único meio que leva a Deus |
João 14:6; 1 Timóteo 2:5-6 |
Uma observação quanto ao termo "religião": há uma expressão lacônica que diz que "todas as religiões são iguais / levam a Deus". Essa premissa não é verdadeira.
Existem aqueles que creem que Deus existe (teísmo) e aqueles que creem que ele não existe (ateísmo). Uma opção exclui a outra; logo, tais crenças não podem ser tidas por iguais.
Existem aqueles que creem que há um só Deus (monoteísmo), e aqueles que creem que há vários deuses (politeísmo: Hinduísmo, Budismo Mahayana, Confucionismo, Taoísmo, Xintoísmo, Candomblé). Uma opção exclui a outra; logo, tais crenças não podem ser tidas por iguais.
Dentre aqueles que creem na existência de um só Deus, há os que entendem que é um Ser dotado de vontade (Ser pessoal) e os que creem que Deus é uma força (universo; deus do trovão; deus da água; deus da natureza). Uma opção exclui a outra; logo, tais crenças não podem ser tidas por iguais.
Dentre os que creem que há um só Deus e que Ele é um Ser pessoal, há somente três grandes religiões: o cristianismo, o judaísmo e o islamismo. Mas, dentre essas, apenas no cristianismo se crê que Jesus é o próprio Deus encarnado. Já no judaísmo e no islamismo, os fiéis ainda aguardam por um enviado de Deus (judaísmo: mashiach; islamismo: mahdi; creem em Alah).
Se Jesus for mesmo Deus, essa opção (cristianismo) exclui todas as demais.
Obs.: o cristianismo é, atualmente, a religião que possui o maior número de adeptos do mundo. Baseia-se no livro sagrado Bíblia;
Obs.: segundo dados estatísticos, o islamismo é a religião que mais tem crescido no mundo. Baseia-se nos ensinamentos do profeta Maomé. Tem por base o livro Alcorão, que, segundo a fé islâmica, reúne mensagens divididas recebidas por Maomé. Dá a deus o nome de “Alah”;
Assim, é ilógico e irracional dizer que todas as religiões são iguais ou levam ao mesmo lugar.
TEXTO BÍBLICO
A alguns que confiavam em sua própria justiça e desprezavam os outros, Jesus contou esta parábola:
"Dois homens subiram ao templo para orar; um era fariseu e o outro, publicano.
O fariseu, em pé, orava no íntimo: ‘Deus, eu te agradeço porque não sou como os outros homens: ladrões, corruptos, adúlteros; nem mesmo como este publicano. Jejuo duas vezes por semana e dou o dízimo de tudo quanto ganho’.
"Mas o publicano ficou à distância. Ele nem ousava olhar para o céu, mas batendo no peito, dizia: ‘Deus, tem misericórdia de mim, que sou pecador’.
"Eu lhes digo que este homem, e não o outro, foi para casa justificado diante de Deus. Pois quem se exalta será humilhado, e quem se humilha será exaltado".
CONTEXTO DA PARÁBOLA
Um pouco antes dessa parábola, Jesus contou aos discípulos a parábola da viúva e o juiz injusto (Lucas 18:1-8), ensinando sobre a oração persistente, “para mostrar-lhes que eles deviam orar sempre e nunca desanimar”.
Na parábola que estudaremos hoje, Jesus ensina sobre a atitude correta na oração, mostrando dois exemplos de oração: uma reprovada, e uma aprovada.
Podemos notar que existem: dois homens, duas orações e dois resultados.
DOIS HOMENS
O FARISEU
Lucas 18:10
"Dois homens subiram ao templo para orar; um era fariseu e o outro, publicano.
A palavra “fariseu” vem da raiz hebraica “parash”, que quer dizer “separar, afastar”.
Nesse sentido, os fariseus foram um partido de homens “separados” do resto da população para se consagrar ao estudo da Torá (Antigo Testamento) e das tradições do povo hebreu.
A origem desse grupo é controversa.
Alguns entendem que eles surgiram no período do exílio dos judeus na Babilônia, para preservar a fé e cultura judaica (já que eles não tinham mais o templo em Jerusalém), enquanto outros entendem que surgiram no período da revolução dos macabeus, quando os selêucidas tentavam forçar os judeus a seguirem a cultura e as práticas gregas.
De qualquer forma, há consenso de que eles surgiram para manter a cultura judaica incólume diante da dominação cultural dos outros povos.
Observando estritamente a Lei de Moisés e a tradição oral, eles representavam uma resistência às culturas dominantes na época.
Porém, na época de Jesus, podemos notar que eles haviam se corrompido. Tornaram-se hipócritas religiosos. Apegaram-se ao cumprimento severo da Lei e das tradições e negligenciaram a verdadeira fé, o amor ao próximo e a dependência à justiça de Deus.
Então, Jesus disse à multidão e aos seus discípulos:
"Os mestres da lei e os fariseus se assentam na cadeira de Moisés.
Obedeçam-lhes e façam tudo o que eles lhes dizem. Mas não façam o que eles fazem, pois não praticam o que pregam.
Eles atam fardos pesados e os colocam sobre os ombros dos homens, mas eles mesmos não estão dispostos a levantar um só dedo para movê-los.
"Tudo o que fazem é para serem vistos pelos homens. Eles fazem seus filactérios bem largos e as franjas de suas vestes bem longas; gostam do lugar de honra nos banquetes e dos assentos mais importantes nas sinagogas, de serem saudados nas praças e de serem chamados ‘rabis’.
"Mas vocês não devem ser chamados ‘rabis’; um só é o mestre de vocês, e todos vocês são irmãos.
A ninguém na terra chamem ‘pai’, porque vocês só têm um Pai, aquele que está nos céus.
Tampouco vocês devem ser chamados ‘chefes’, porquanto vocês têm um só Chefe, o Cristo.
O maior entre vocês deverá ser servo.
Pois todo aquele que a si mesmo se exaltar será humilhado, e todo aquele que a si mesmo se humilhar será exaltado.
"Ai de vocês, mestres da lei e fariseus, hipócritas! Vocês fecham o Reino dos céus diante dos homens! Vocês mesmos não entram, nem deixam entrar aqueles que gostariam de fazê-lo.
"Ai de vocês, mestres da lei e fariseus, hipócritas! Vocês devoram as casas das viúvas e, para disfarçar, fazem longas orações. Por isso serão castigados mais severamente.
"Ai de vocês, mestres da lei e fariseus, hipócritas, porque percorrem terra e mar para fazer um convertido e, quando conseguem, vocês o tornam duas vezes mais filho do inferno do que vocês.
"Ai de vocês, guias cegos!, pois dizem: ‘Se alguém jurar pelo santuário, isto nada significa; mas se alguém jurar pelo ouro do santuário, está obrigado por seu juramento’.
Cegos insensatos! Que é mais importante: o ouro ou o santuário que santifica o ouro?
Vocês também dizem: ‘Se alguém jurar pelo altar, isto nada significa; mas se alguém jurar pela oferta que está sobre ele, está obrigado por seu juramento’.
Cegos! Que é mais importante: a oferta, ou o altar que santifica a oferta?
Portanto, aquele que jurar pelo altar, jura por ele e por tudo o que está sobre ele.
E o que jurar pelo santuário, jura por ele e por aquele que nele habita.
E aquele que jurar pelo céu, jura pelo trono de Deus e por aquele que nele se assenta.
"Ai de vocês, mestres da lei e fariseus, hipócritas! Vocês dão o dízimo da hortelã, do endro e do cominho, mas têm negligenciado os preceitos mais importantes da lei: a justiça, a misericórdia e a fidelidade. Vocês devem praticar estas coisas, sem omitir aquelas.
Guias cegos! Vocês coam um mosquito e engolem um camelo.
"Ai de vocês, mestres da lei e fariseus, hipócritas! Vocês limpam o exterior do copo e do prato, mas por dentro eles estão cheios de ganância e cobiça.
Fariseu cego! Limpe primeiro o interior do copo e do prato, para que o exterior também fique limpo.
"Ai de vocês, mestres da lei e fariseus, hipócritas! Vocês são como sepulcros caiados: bonitos por fora, mas por dentro estão cheios de ossos e de todo tipo de imundície.
Assim são vocês: por fora parecem justos ao povo, mas por dentro estão cheios de hipocrisia e maldade.
"Ai de vocês, mestres da lei e fariseus, hipócritas! Vocês edificam os túmulos dos profetas e adornam os monumentos dos justos.
E dizem: ‘Se tivéssemos vivido no tempo dos nossos antepassados, não teríamos tomado parte com eles no derramamento do sangue dos profetas’.
Assim, vocês testemunham contra si mesmos que são descendentes dos que assassinaram os profetas.
Acabem, pois, de encher a medida do pecado dos seus antepassados!
"Serpentes! Raça de víboras! Como vocês escaparão da condenação ao inferno?
Por isso, eu lhes estou enviando profetas, sábios e mestres. A uns vocês matarão e crucificarão; a outros açoitarão nas sinagogas de vocês e perseguirão de cidade em cidade.
E, assim, sobre vocês recairá todo o sangue justo derramado na terra, desde o sangue do justo Abel, até o sangue de Zacarias, filho de Baraquias, a quem vocês assassinaram entre o santuário e o altar.
Eu lhes asseguro que tudo isso sobrevirá a esta geração.
"Jerusalém, Jerusalém, você, que mata os profetas e apedreja os que lhe são enviados! Quantas vezes eu quis reunir os seus filhos, como a galinha reúne os seus pintinhos debaixo das suas asas, mas vocês não quiseram.
Eis que a casa de vocês ficará deserta.
Pois eu lhes digo que vocês não me verão desde agora, até que digam: ‘Bendito é o que vem em nome do Senhor’".
O texto nos mostra claramente que os fariseus eram hipócritas, gananciosos, orgulhosos, e amavam o prestígio social. Tudo o que faziam era para serem vistos pelos homens.
Além disso, valorizavam muito mais as tradições orais do que a própria Lei de Deus.
Então alguns fariseus e mestres da lei, vindos de Jerusalém, foram a Jesus e perguntaram:
"Por que os seus discípulos transgridem a tradição dos líderes religiosos? Pois não lavam as mãos antes de comer! "
Respondeu Jesus: "E por que vocês transgridem o mandamento de Deus por causa da tradição de vocês?
Pois Deus disse: ‘Honra teu pai e tua mãe’ e ‘quem amaldiçoar seu pai ou sua mãe terá que ser executado’.
Mas vocês afirmam que se alguém disser a seu pai ou a sua mãe: ‘Qualquer ajuda que vocês poderiam receber de mim é uma oferta dedicada a Deus’,
ele não é obrigado a ‘honrar seu pai’ dessa forma. Assim vocês anulam a palavra de Deus por causa da tradição de vocês.
Hipócritas! Bem profetizou Isaías acerca de vocês, dizendo:
‘Este povo me honra com os lábios, mas o seu coração está longe de mim.
Em vão me adoram; seus ensinamentos não passam de regras ensinadas por homens’".
O PUBLICANO
Lucas 18:10
"Dois homens subiram ao templo para orar; um era fariseu e o outro, publicano.
Os publicanos eram pessoas contratadas pelo governo romano para coletar impostos do povo dominado e repassá-los a Roma. No contexto bíblico, eram pessoas do próprio povo judeu.
Naquela época, tinham fama de desonestos, pois cobravam os impostos acima do valor devido para se apropriar de uma parte deles.
Um exemplo de publicano que se converteu foi Zaqueu (chefe dos publicanos). Observe a reação do povo ao ouvir que Jesus iria ficar na casa dele:
Quando Jesus chegou àquele lugar, olhou para cima e lhe disse: "Zaqueu, desça depressa. Quero ficar em sua casa hoje".
Então ele desceu rapidamente e o recebeu com alegria.
Todo o povo viu isso e começou a se queixar: "Ele se hospedou na casa de um ‘pecador’".
Os publicanos eram considerados pecadores juntamente com as prostitutas, sendo desprezados pela sociedade.
Estando Jesus em casa, foram comer com ele e seus discípulos muitos publicanos e "pecadores".
Vendo isso, os fariseus
perguntaram aos discípulos dele: "Por que o mestre de vocês come com
publicanos e ‘pecadores’? "
DUAS ORAÇÕES
A “ORAÇÃO” DO FARISEU:
O fariseu, em pé, orava no íntimo: ‘Deus, eu te agradeço porque não sou como os outros homens: ladrões, corruptos, adúlteros; nem mesmo como este publicano.
Jejuo duas vezes por semana e dou o dízimo de tudo quanto ganho’.
1. COMPAROU-SE AO OUTRO
Deus, eu te agradeço porque não sou como os outros homens... nem mesmo como este publicano.
Em sua “oração”, o fariseu comparou-se aos outros homens, e, também, ao publicano em particular.
O orgulho e a comparação andam ligados. A soberba é a atitude orgulhosa da pessoa que se vangloria de si mesma, considerando-se superior aos outros.
Exemplos: "sou mais espiritual que os outros"; "minha grama está mais bonita que a do vizinho", etc.
A Palavra nos ensina a não nos compararmos com os outros. Devemos cuidar da nossa própria fé e testemunho, pois prestaremos conta de nossa própria vida a Deus, e não da vida alheia.
Portanto, você, por que julga seu irmão? E por que despreza seu irmão? Pois todos compareceremos diante do tribunal de Deus.
Porque está escrito: " ‘Por mim mesmo jurei’, diz o Senhor, ‘diante de mim todo joelho se dobrará e toda língua confessará que sou Deus’ ".
Assim, cada um de nós prestará contas de si mesmo a Deus.
Portanto, deixemos de julgar uns aos outros. Em vez disso, façamos o propósito de não colocar pedra de tropeço ou obstáculo no caminho do irmão.
Cada um examine os próprios atos, e então poderá orgulhar-se de si mesmo, sem se comparar com ninguém,
pois cada um deverá levar a própria carga.
2. JULGOU COM SUA PRÓPRIA JUSTIÇA
Lucas 18:9-11
A alguns que confiavam em sua própria justiça e desprezavam os outros, Jesus contou esta parábola:
"Dois homens subiram ao templo para orar; um era fariseu e o outro, publicano.
O fariseu, em pé, orava no íntimo: ‘Deus, eu te agradeço porque não sou como os outros homens: ladrões, corruptos, adúlteros; nem mesmo como este publicano.
Ao invés de orar sobre seus próprios pecados e necessidades, o fariseu gastou suas palavras julgando o próximo segundo sua própria justiça.
Porém, Jesus nos ensinou a não julgar o pecado do próximo sem, antes, julgar nosso próprio pecado. A ideia é essa: depois de tratar seus próprios pecados, você terá condições de julgar o pecado do outro e com o fim de ajudá-lo.
Da mesma forma, a Igreja precisa julgar e combater as atitudes pecaminosas que aparecerem em seu meio, a fim de que não haja contaminação de toda a congregação.
"Não julguem, para que vocês não sejam julgados.
Pois da mesma forma que julgarem, vocês serão julgados; e a medida que usarem, também será usada para medir vocês.
"Por que você repara no cisco que está no olho do seu irmão, e não se dá conta da viga que está em seu próprio olho?
Como você pode dizer ao seu irmão: ‘Deixe-me tirar o cisco do seu olho’, quando há uma viga no seu?
Hipócrita, tire primeiro a viga do seu olho, e então você verá claramente para tirar o cisco do olho do seu irmão.
O fariseu simplesmente desprezou a justiça de Deus e julgou os pecados alheios sem julgar, antes, seus próprios pecados. Ainda, não julgou o pecado dos outros com o intuito de ajudar os pecadores, mas somente para se exaltar sobre eles.
Não é do Oriente nem do Ocidente nem do deserto que vem a exaltação.
É Deus quem julga: Humilha a um, a outro exalta.
O Senhor reina para sempre; estabeleceu o seu trono para julgar.
Ele mesmo julga o mundo com justiça; governa os povos com retidão.
3. TEVE ORGULHO DE SUA PERFORMANCE RELIGIOSA
Jejuo duas vezes por semana e dou o dízimo de tudo quanto ganho’.
O fariseu orgulhou-se pelo fato de observar estritamente a Lei e fazer até além do que ela pede, jejuando duas vezes por semana.
Ou seja, ele se vangloriou dos seus próprios méritos, sem adorar a Deus pelo que Ele é e sem louvá-lo pelo que Ele faz.
Essa ideia do fariseu de fazer boas obras para alcançar o favor de Deus está presente na maioria das religiões e crenças.
A tentativa de "religare" os homens com Deus, por meio de práticas religiosas realizadas pelos próprios homens, é o que observamos mais comumente.
Ex. "dar esmolas para ser mais espiritual", "não comer carne na semana santa", "pagar promessa", "orar mais horas para ganhar pontos com Deus", "autoflagelar-se", etc.
Porém, no cristianismo, não alcançamos o favor de Deus por meio de nossa perfomance religiosa.
Em verdade, o Senhor Deus, que é totalmente Santo, não vê nossa justiça humana como os próprios homens a enxergam. Para Ele, a justiça humana está maculada, corrompida, conforme notamos no versículo a seguir:
Somos como o impuro — todos nós! Todos os nossos atos de justiça são como trapo imundo.
A Palavra diz que nossos atos de justiça são como trapo de imundície perante Deus. Na antiguidade, esses trapos eram utilizados pelos leprosos, para envolver/limpar feridas, e também pelas mulheres no seu período menstrual.
Ou seja, até nossos melhores atos - fora de Cristo - estão eivados de corrupção, por causa de nossa natureza pecaminosa.
Também já vimos que não há um justo sequer. Todos pecaram e estão destituídos da glória de Deus (Romanos 3), e o salário do pecado é a morte (Romanos 6:23).
Só há um Justo e digno de todo o mérito: Jesus.
Meus filhinhos, escrevo-lhes estas coisas para que vocês não pequem. Se, porém, alguém pecar, temos um intercessor junto ao Pai, Jesus Cristo, o Justo.
Ele é a propiciação pelos nossos pecados, e não somente pelos nossos, mas também pelos pecados de todo o mundo.
Na fé cristã, a iniciativa de religar Deus com os homens partiu do próprio Deus, que enviou seu Único Filho para morrer em nosso lugar, pagando, com sua morte, o preço dos nossos pecados.
O próprio Deus encarnado veio restabelecer a paz entre Deus e os homens, por meio dos méritos de Jesus, que é Santo e nunca pecou, e se ofereceu como sacrifício em nosso favor, por amor a nós.
Assim, todos os méritos são Dele, para sempre. Amém.
Mas quando se manifestaram a bondade e o amor pelos homens da parte de Deus, nosso Salvador,
não por causa de atos de justiça por nós praticados, mas devido à sua misericórdia, ele nos salvou pelo lavar regenerador e renovador do Espírito Santo,
que ele derramou sobre nós generosamente, por meio de Jesus Cristo, nosso Salvador.
Portanto, não há nada que possamos fazer para manifestar nossa justiça perante Deus, exceto crer no Seu Filho. A justiça vem pela fé na obra redentora de Cristo.
Gálatas 2:16
Sabemos que o ninguém é justificado pela prática da lei, mas mediante a fé em Jesus Cristo. Assim, nós também cremos em Cristo Jesus para sermos justificados pela fé em Cristo, e não pela prática da lei, porque pela prática da lei ninguém será justificado.
O fariseu achou que, fazendo mais do que exigia a Lei de Moisés, ganharia um crédito da parte de Deus. Como vimos, não funciona assim.
4. EM SUA “ORAÇÃO”, FALOU CONSIGO MESMO
O fariseu disfarçou seu monólogo interior em um simulacro de oração.
Na verdade, ele não se dirigiu a Deus, mas ficou se enaltecendo sobre os outros homens de si para si mesmo.
Ele não pediu a intervenção do Senhor em nenhum momento.
5. FEZ UMA “ORAÇÃO” REBUSCADA, PORÉM, INEFICAZ
Observe o que Jesus nos ensinou sobre "orações" longas e vazias:
"E quando vocês orarem, não sejam como os hipócritas. Eles gostam de ficar orando em pé nas sinagogas e nas esquinas, a fim de serem vistos pelos outros. Eu lhes asseguro que eles já receberam sua plena recompensa.
Mas quando você orar, vá para seu quarto, feche a porta e ore a seu Pai, que está no secreto. Então seu Pai, que vê no secreto, o recompensará.
E quando orarem, não fiquem sempre repetindo a mesma coisa, como fazem os pagãos. Eles pensam que por muito falarem serão ouvidos.
Não sejam iguais a eles, porque o seu Pai sabe do que vocês precisam, antes mesmo de o pedirem.
Não é o muito falar e nem o muito tempo de oração que fazem Deus se agradar de nós. Ele sabe exatamente o que temos em mente: do que precisamos e o que desejamos. O que importa é a sinceridade da oração, sua concordância com os princípios bíblicos e o relacionamento que temos, diariamente, com Ele.
A ORAÇÃO DO PUBLICANO:
1. ANALISOU A SI MESMO COM SINCERIDADE
"Mas o publicano ficou à distância. Ele nem ousava olhar para o céu, mas batendo no peito, dizia: ‘Deus, tem misericórdia de mim, que sou pecador’.
O publicano ficou à distância e nem ousou olhar para o céu, mas baixou a cabeça. Ele reconheceu que era pecador e entendeu a gravidade de sua condição, a qual ofendia a Justiça e Santidade do Senhor.
Provérbios 28:13
Quem esconde os seus pecados não prospera, mas quem os confessa e os abandona encontra misericórdia.
2. HUMILHOU-SE PERANTE DEUS
...batendo no peito, dizia: ‘Deus, tem misericórdia de mim, que sou pecador’.
Bater no peito era um sinal de contrição, grande tristeza e sofrimento.
O publicano não se importou com o que os outros pensariam ao vê-lo batendo no peito.
Ele realmente se dirigia a Deus, humilhando-se em Sua presença.
Aqueles que sabem que são espiritualmente pobres herdarão o reino dos céus.
Mateus 23:12
Pois todo aquele que a si mesmo se exaltar será humilhado, e todo aquele que a si mesmo se humilhar será exaltado.
Mateus 5:3
"Bem-aventurados os pobres em espírito, pois deles é o Reino dos céus.
3. ARREPENDEU-SE DO SEU PRÓPRIO PECADO
O publicano não analisou nem julgou as demais pessoas que ali se encontravam, mas olhou somente seu próprio pecado.
‘Deus, tem misericórdia de mim, que sou pecador’.
Quando ele admitiu ser pecador, confessou que não tinha direito nenhum diante de Deus, diferentemente do fariseu, que achou que, por muito fazer, tinha créditos com Deus.
Por meio do arrependimento e confissão de fé na obra de Jesus, somos inteiramente perdoados e purificados de nossos pecados.
1 João 1:9
Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para perdoar os nossos pecados e nos purificar de toda injustiça.
A Bíblia diz que o verdadeiro arrependimento de um homem - pecador - também é motivo de festa no céu:
Lucas 15:7
Eu lhes digo que, da mesma
forma, haverá mais alegria no céu por um pecador que se arrepende do que por
noventa e nove justos que não precisam arrepender-se".
4. OROU A DEUS E PEDIU AJUDA
‘Deus, tem misericórdia de mim, que sou pecador’.
O publicano pediu: sê propício a mim, pecador (versão ARA da Bíblia).
Em outras palavras: Deus, me perdoe! Que sua ira pelo pecado seja desviada de mim!
Jesus já fez a propiciação pelos pecados por nós, na cruz.
A propiciação e expiação dos pecados é o pagamento feito pelos pecados cometidos para que possa ser cumprida a justiça de Deus, com a obtenção do Seu perdão.
O pagamento foi a morte de Jesus na cruz. Ele foi nosso substituto, ao pagar a pena do pecado em nosso lugar.
1 João 4:10
Nisto consiste o amor: não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que ele nos amou e enviou o seu Filho como propiciação pelos nossos pecados.
1 João 2:1-2
Meus filhinhos, escrevo-lhes estas coisas para que vocês não pequem. Se, porém, alguém pecar, temos um intercessor junto ao Pai, Jesus Cristo, o Justo.
Ele é a propiciação pelos nossos pecados, e não somente pelos nossos, mas também pelos pecados de todo o mundo.
5. SUA ORAÇÃO FOI CURTA, MAS BÍBLICA
A oração do publicano foi curta, objetiva e bíblica, pois ele reconheceu que era um pecador, se humilhou diante de Deus e pediu o perdão dos seus pecados.
Spurgeon já disse que "as orações mais doces que Deus ouve são gemidos e suspiros daqueles que não têm esperança em mais nada senão em Seu amor".
É exatamente assim. Pouco importa a forma da oração, desde que ela seja verdadeira, e feita de acordo com a Palavra (sem ser contrária aos princípios bíblicos).
DOIS RESULTADOS
Lucas 18:14:
"Eu lhes digo que este homem, e não o outro, foi para casa justificado diante de Deus. Pois quem se exalta será humilhado, e quem se humilha será exaltado".
1. CONDENAÇÃO:
O fariseu não obteve justificação de Deus.
Ele pensou que seria justificado mediante suas boas ações, mas a verdade é que nunca seremos bons o suficiente para merecermos o céu (a salvação eterna).
Já estudamos que não há um justo sequer. Todos pecaram e estão destituídos da glória de Deus (Romanos 3). E o salário do pecado é a morte (Romanos 6:23).
Pense da seguinte forma: não adianta tentar pagar por um presente que é oferecido a nós.
Presente é presente. Se você tentar pagar o presente que recebe de alguém, o doador ficará insultado.
Da mesma forma, o Senhor se ofende quando alguém tenta "comprar" a salvação, o céu, a aprovação de Deus e Seu perdão.
Efésios 2:8-9
Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus;
não de obras, para que ninguém se glorie.
2. JUSTIFICAÇÃO:
O publicano encontrou favor diante de Deus, sendo por Ele justificado, ou seja, "tornado justo".
Jesus se ofereceu como oferta pelos nossos pecados. Quando o recebemos como o único Justo, Senhor e Salvador de nossas vidas, somos perdoados de nossos pecados.
Então, após nossa conversão, a justiça Dele é passada a nós (justificação). Então, sou justificado pelos méritos Dele. Daí em diante, nossos atos de justiça serão vistos por Deus como atos de Jesus.
Se estivermos em Cristo, nossas boas obras serão realizadas por meio de Cristo. Desse modo, vestidos de Sua justiça, seremos considerados justos, e pelo cumprimento de Seus atos em nossas vidas, receberemos nossas coroas.
Geralmente, quando as pessoas são acusadas de algo, fazem de tudo para se justificar, mostrando que não são culpadas.
No caso do publicano e dos cristãos, é o próprio Deus quem os justifica, porque não podemos justificar a nós mesmos.
A justificação se dá pela livre GRAÇA de Deus.
Romanos 3:23-25
Pois todos pecaram e carecem da glória de Deus,
sendo justificados gratuitamente, por sua graça, mediante a redenção que há em Cristo Jesus,
a quem Deus propôs, no seu sangue, como propiciação, mediante a fé, para manifestar a sua justiça...
Romanos 5:1-2
Justificados, pois, mediante a fé, temos paz com Deus por meio de nosso Senhor Jesus Cristo;
por intermédio de quem obtivemos igualmente acesso, pela fé, a esta graça na qual estamos firmes; e gloriamo-nos na esperança da glória de Deus.



Comentários
Postar um comentário